O presente trabalho procura refletir sobre o processo de construção da educação como uma “educação da interioridade” que parte de uma concepção do cuidado de si, a partir do viés do pensamento filosófico do dinamarquês Sören Kierkegaard. Num primeiro momento, aponto paro o seu conceito de existencialismo, que versa a construção de um indivíduo singular, voltado para sua existência individual; e, num segundo momento, apresento, ainda, que de forma breve, a relação entre o mestre e o discípulo marcada na obra (...) Migalhas Filosóficas (2008) , como fundamento para uma educação da interioridade. Palavras-chave : cuidado de si, educação da interioridade, Kierkegaard. (shrink)
Neste artigo defendo que a Teoria da Informação Fortemente Semântica de Floridi (2004) – TIFS – está correta ao assumir a Tese da Veracidade, que por sua vez orienta a definição de informação semântica como “p é informação se e somente se p é constituído por dados bem-formados, com significado e verdadeiros”. Argumento que a teoria não é arbitrária, pois dá conta do desembaraço de conundrums filosóficos importantes, principalmente por evitar o paradoxo de Bar-Hillel e Carnap (1953), que é gerado (...) a partir da teoria clássica da informação semântica. Primeiro é discutido um dos principais resultados da teoria clássica, o de produzir “sentenças muito informativas para serem verdadeiras”. Depois são resumidas as motivações para a elaboração de uma “lógica de estar informado” e é mostrado como o sistema KTB-IL é montado e modelado mantendo-se entre os seus axiomas o da veracidade – K ou A4. Finalmente, a TIFS é examinada e defendida ao mostrar que ela restringe aleticamente a extensão do conceito clássico de informação para evitar problemas com tautologias e contradições. A TIFS oferece uma solução original ao capturar nossas intuições modais a respeito da informatividade como noção básica. (shrink)
O mundo como vontade e representação, de A. Schopenhauer, constitui uma das principais fontes da primeira fase produtiva da obra de F. Nietzsche. O artigo ressalta os principais pontos da metafisica da música desenvolvida no terceiro capitulo da obra de Schopenhauer e indica as suas influências determinantes sobre o jovem Nietzsche.
O artigo tenciona explicar o conceito da subjetividade na Ciência da Lógica (CdL) a partir de sua forma inicial, diferentemente da maioria dos vários estudos sobre a temática, que discute as formas já mais desenvolvidas, que ocorrem dentro da Lógica do Conceito. Porém, como essa última, desde início, é “Lógica Subjetiva”, a subjetividade precisa ser constituída antes ou no ponto do começo dela. Essa subjetividade inicial e mínima explica-se por primeiro pela identificação de subjetividade e liberdade, por segundo, pela compreensão (...) da liberdade como autodeterminação. Essa autodeterminação ocorre, na CdL, pela primeira vez na “necessidade absoluta” e torna-se verdadeiramente autônoma na “relação absoluta” da “ação recíproca”. Essa, quando levada a suas últimas conseqüências, é autodeterminação conceitual ou conceito autodeterminante – e aí inicia-se o reino da liberdade. Mas isso quer dizer que liberdade, inicialmente, não é outra coisa que necessidade internalizada na determinação conceitual, isto é, autodeterminação necessária do conceito. Obviamente, o conhecer, destarte, não faz parte da forma inicial da liberdade e da subjetividade: subjetividade não é, originariamente, auto-consciente. Seu saber-de-si, a subjetividade adquire apenas, através de um desenvolvimento longo e complexo, na “Idéia”, mais especificamente na “Idéia do conhecer”, para plenificar-se na “Idéia absoluta”. O artigo conclui com uma crítica dessa transição à consciência no desenvolvimento imanente da subjetividade, mantendo que a consciência seja algo originário, não reduzível a estruturas conceituais. Palavras chaves: Hegel, Subjetividade, Liberdade, Consciência, Ciência da Lógica. (shrink)
Toma-se a crítica de Nietzsche a Sócrates como um caso exemplar que mostra os dois sentidos fundamentais da crítica nietzscheana: (i) a crítica nietzscheana consiste em censura e em elogio de modo dual, ou seja, censura e elogio são aspectos da crítica; e (ii) ao criticar alguém, Nietzsche está, igualmente, se autocriticando.
http://dx.doi.org/10.5007/1808-1711.2012v16n2p229 Tanto no Tratado da Natureza Humana como na Investigação sobre o Entendimento Humano , Hume mostra-se convencido de que “não há acaso no mundo”, e que “aquilo que o vulgo chama de acaso não passa de uma causa secreta e escondida”. Essa tese desempenha papel crucial em sua análise do livre-arbítrio e, conseguintemente, da responsabilidade moral; é também um elemento importante em sua discussão sobre os milagres. No entanto, o próprio Hume ofereceu, no Tratado , um argumento convincente para (...) mostrar que o princípio de causalidade, segundo o qual tudo o que começa a existir tem uma causa, não pode ser conhecido a priori , por intuição ou demonstração. Logo, essa “opinião tem necessariamente de provir da observação e experiência”. O presente trabalho examina essa tese, mostrando, inicialmente, qual era a proposta de Hume para fundar na experiência o princípio de causalidade, e depois qual, de fato, teria sido o mais robusto fundamento para esse princípio: a mecânica newtoniana. Explica-se, por fim, como esse fundamento empírico indireto e o próprio argumento de Hume foram solapados pela física quântica, no século XX. (shrink)
In this paper, we look at applying the techniques from analyzing superintuitionistic logics to extensions of the cointuitionistic Priest-da Costa logic daC (introduced by Graham Priest as “da Costa logic”). The relationship between the superintuitionistic axioms- definable in daC- and extensions of Priest-da Costa logic (sdc-logics) is analyzed and applied to exploring the gap between the maximal si-logic SmL and classical logic in the class of sdc-logics. A sequence of strengthenings of Priest-da Costa logic is examined and employed to pinpoint (...) the maximal non-classical extension of both daC and Heyting-Brouwer logic HB . Finally, the relationship between daC and Logics of Formal Inconsistency is examined. (shrink)
Dworkin respondeu afirmativamente à pergunta título do seu texto “Não existe mesmo nenhuma resposta certa em casos controversos?”. Posner criticou Dworkin e respondeu a mesma pergunta negativamente. Discute-se neste artigo as diferentes maneiras como cada filósofo entendeu a pergunta que acarreta diferentes respostas a ela, isto é, de que modo diferenças na concepção do que é o Direito acarretam diferenças a respeito da existência de respostas certas para questões jurídicas.
Das obras de Newton da Costa, muitas pessoas na França conhecem apenas o renascimento da paraconsistência. Apresentamos algumas razões em defesa de investigações nessa parte da lógica. Acima de tudo, porém, relembramos uma das maiores contribuições de Newton da Costa: sua demonstração, em 1991, em colaboração com Doria, da indecidibilidade gödeliana do movimento na física matemátcia, um resultado que foi de certa forma previsto, por outras razões, por Duhem em 1906. DOI: 10.5007/1808-1711.2011v15n1p7.
This text examines the distinction and relation between legal philosophy and legal theory in the book Law and Democracy by Jürgen Habermas. To that end, I seek at first to reflect on the concepts of law sociology and philosophy of justice from the dialogue that opposes Habermas to Dworkin and Rawls, on the philosophical basis of equality and distribution. Subsequently, we analyse the arguments about the social integrative function of law that Habermas develops from the works of Parsons and Weber, (...) in order to see what Habermas meant by integrative function of law as well as the contribution of that category for a reconstructive theory of the society. The conclusion points to the link between his philosophy of right to a sociological theory, when, through the concept of communicative reason, he eschews metaphysical discussions of the absolute and seeks to develop a concept of society capable of resisting the dimensions of the life world and system. (shrink)
The objective of this assay is to make one analyzes on the Philosophy of History covering an including period of its historical development. However, the focus of our study is not to present a general and exhausting panorama of the Philosophy of History, without before pointing out a problem that it crosses, not even to develop innumerable existing teses concerning its problematic, therefore tasks of this transport would mostly extend for all chains or of them, what he would be superfluous. (...) Our intention is more modest, in we will content them in presenting in general lines as the sprouting of the theories of history in century XIX did not eliminate for complete the Metaphysical bases that based the classic philosophies of history, for the opposite, if they had nourished of them and to leave of them they had raised its epistemologies foundations and made possible in the following century, the renaissance of the Philosophies of History with diverse variations. (shrink)
Este artigo pretende introduzir os três volumes de Principia que aparecerão em sequência homenageando os 80 anos do professor Newton da Costa. Ao invés de apresentar os artigos um a um, como se faz usualmente em uma introdução como esta, preferimos deixar os artigos falarem por si, e oforoecer aos leitores brasileiros, especialmente nossos estudantes, alguns aspectos da concepção de ciência e da atividade científica de Newton da Costa, fundamentadas no conceito de quase-verdade, que ele contribuiu para desenvolver de modo (...) rigoroso. Da Costa e conhecido como urn dos fundadores da lógica paraconsistente, mas suas contribuições alcançam também os fundamentos da física, da ciência da computação,a teoria dos modelos, a lógica algébrica, a teoria dos reticulados, as aplicações de lógicas não-clássicas à ciência do direito e à tecnologia, etc. No entanto, talvez sua maior contruição tenha sido proporcionar a base para a criação de uma escola de lógica em nosso país (Brasil), à qual serviu como professor e inspirador par gerações. É com satisfação que vimos uma imediata aceitaçãoo pelos editors de Principia para a organização desses volumes. Gostaria de agradecer a todos os que contribuiram com artigos e aos editors da revista, em especial ao professor Cezar Mortari pela ajuda na organização desta homenagem. (shrink)
Thomas Reid introduced the notion of social operation of mind in the theory of mind and language. Hhis friend James Gregory developed this notion and gave it a meaningful role in classical Uuniversal Grammar, especially in the General Theory of the Mmoods of Vverbs. Bbefore Reid and Gregory, the classical Philosophical Grammar presupposes, inter alia, that the mind is self-contained; in other words, that mental contents and operations are all independent from the natural and social environment. Ssome of these operations (...) have a modus/dictum structure corresponding, grosso modo, to the actual distinction between psychological mode and conceptual mental content, also analogous to the distinction between illocutionary force and propositional content, which is partially reflected in the system of verbal moods of natural languages. The famous Grammaire de Port-Royal already pointed to a serious limitation of this model. Arnauld & Lancelot wrote: “Oon ne se commande pas proprement à soi-même” (“Oone does not command properly to oneself”). I will try to show that Reid realized clearly that what we call today “individualism” does not allow us to characterize adequately the social aspects of language, and consequently headed for a different conception of the mind, an anti-individualist one. The notion of social operation of the mind is the cornerstone of that reform undertaken by Reid in the philosophy of mind. Furthermore, he and Gregory defended that natural languages were created especially to expresses those social aspects of language and mind. (shrink)
Este artigo tem como objetivo geral apresentar alguns aspectos básicos da filosofia da matemática de Charles Sanders Peirce, com o intuito de suscitar discussão posterior. Especificamente, são ressaltados: o lugar da matemática na classificação das ciências do autor; a diferença entre matemática e filosofia como cenoscopia; a relação entre as categorias da fenomenologia e matemática; o conceito de experiência e sua formalização possível; a distinção geral entre lógica, como parte da investigação filosófica, e matemática.
The present paper has the purpose of making a critical approach of the so called “independence thesis” (Unabhängigkeitsthese) between Law and Ethics based on the Kantian text about equity in his Doctrine of Law. To this critical approach, a weakening of the “independence thesis” is demonstrated according to some endogenous concepts of the Kant work, which we believe deals with an oblique opening of the Kantian’s law to ethics. To demonstrate this, we follow a methodological analytic way divided in three (...) moments: (i) an analysis of the concept of law in Kant; (ii) an explanatory approach of the “independence thesis”; and (iii) a critical approach of the “independence thesis”. (shrink)
O texto é uma resenha de uma obra do filósofo e psicólogo alemão Wilhelm Dilthey. A resenha aborda uma publicação para o português da obra Introdução às ciências humanas (1883), na data em que se celebra o centenário de morte de Dilthey. A iniciativa dessa análise se justifica por ressaltar esta edição que: apresenta ao público brasileiro este autor relativamente pouco conhecido em nosso país; introduz os termos de sua filosofia. Dilthey é pensador crucial para o século XX por ter (...) contestado a influência que doutrina positivista possuiria sobre as ciências humanas (especialmente as sociais, as históricas e as do psiquismo) com seu método hermenêutico. A influência deste pensador se fez sensivelmente presente na obra de autores como Weber, Spengler, Ortega y Gasset e Gadamer. (shrink)
O presente artigo pretende discutir e refletir sobre as contribuições da chamada Teoria Crítica da Sociedade para o campo da educação em tempos de crescente desenvolvimento tecnológico. Para tanto, voltamos o olhar para as obras de três autores expoentes da Teoria Crítica: Walter Benjamin, Theodor W. Adorno e Herbert Marcuse, destacando as reflexões e análises desses autores e utilizando-as como subsídio no campo educativo. A educação autorreflexiva e autocrítica é pensada em seu potencial para a superação das condições de dominação (...) que permanecem em nossa sociedade, cada vez mais tecnificada e pretensamente democrática. Desse modo, pensar a práxis educativa se afigura como algo urgente e necessário para que se rompa com certas condições que mantêm nosso potencial à barbárie. (shrink)
A darwinian evolutionary approach can contribute to reassess philosophical problems in different fields, including ethics and moral theory. Sociobiology and evolutionary psychology address these issues by presupposing mechanisms such as kin selection and reciprocal altruism. However, these mechanisms can’t account for cooperation in the human species. Dual inheritance theory addresses human cooperation differently, by taking into account the above-mentioned classical biological mechanisms without ignoring, however, relevant knowledge produced by social scientists. According to this approach, human social psychology comprises tribal social (...) instincts and symbolic markers. One implication of this approach is that there are innate and universal moral principles hardwired in the human mind-brain, which where selected through an evolutionary process that makes life possible in large, structured social groups. Although innate, these principles are plastically shaped to meet the demands of different cultural niches in particular societies. (shrink)
A Reforma em território alemão possui duas figuras, por vezes próximas entre si, por vezes muito distantes: Lutero e Tomás Müntzer. À medida que foi se envolvendo na vida de seus fiéis, Müntzer foi tomando caminhos próprios, discordando de Lutero que este tomava a “Palavra, em sua realidade objetiva, como constitutiva da Igreja, e afirmando que os verdadeiros fiéis são os que possuem a experiência subjetiva do “Espírito”. Também contra Lutero, que defende a resistência à autoridade, mas em questões seculares (...) aceita a tirania, Müntzer, que vê a fé fortemente inserida no social, defende a revolução armada contra os príncipes. Müntzer não nega a graça, mas esta possui papel secundário em seu pensamento, enquanto, para Lutero, ela se coloca no centro de suas preocupações teológicas. PALAVRAS-CHAVE – Reforma. Palavra. Graça. Experiência subjetiva. Resistência. Revolução. ABSTRACT The Reform in german territory has two figures, sometimes very close to each other, and sometimes very distant: Luther and Thomas Müntzer. As he got envolved in the lives of his followers, Müntzer began taking his own paths, disaccording of Luther that took the “Word” in its objective reality, as constitutive of the Church, and affirming that the true followers are the ones who own the subjective experience of the “Spirit”. Also against Luther, that stands for the resistance against authority, but in secular matters accepts tyranny, Müntzer, that sees tyranny deeply inserted in the social, stands for the armed revolution against the princes. Müntzer does not deny grace, but it has a secondary role in his thought, as, for Luther, it is placed in the center of his theological worries. KEY WORDS – Reform. Word. Grace. Subjective experience. Resistance. Revolution. (shrink)
São muitas e, até hoje, muito controvertidas as opiniões referentes à função e ao lugar sistemático da filosofia da história de Kant no todo do seu projeto crítico-transcendental; nem há consenso quanto à importância ou relevância filosófica dos diversos escritos em que Kant aborda e defende os seus teoremas histórico- políticos. – No presente trabalho, pretende-se interpretar a “doutrina” histórico-filosófica kantiana – não obstante o seu caráter fragmentário e até aparentemente nem sempre coerente – na perspectiva da sua possível homogeneidade (...) e compatibilidade com os elementos centrais da própria teoria-base transcendental. Isso significa, antes de mais nada, ler os respectivos teoremas não como resultados de um raciocínio dogmático baseado num saber do processo histórico, mas como um conjunto de teses e postulados baseados no mero suposto subjetivo-racional de um progresso, ou seja, na idéia não só da possibilidade mas da necessidade (subjetiva) da razão de implantar princípios racionais na história. PALAVRAS-CHAVE – Kant. Filosofia transcendental. Sistema. Filosofia da história. ABSTRACT There are many different and controversial opinions about the function and the systematic place of Kant’s philosophy of history in the context of his critical-transcendental project on the whole, as well as about the philosophic relevance of his historical-political writings. – This paper aims to interpret Kant’s historical-philosophical “doctrine” – in despite of its fragmentary character and of some apparent incoherences – in the horizon of its possible homogeneity and compatibility with the central elements of the basic transcendental theory. That means, above all: read the theorems in question not as results of a dogmatic thought based on the knowledge of historical processes, but as a set of thesis and postulates based on the mere subjective- rational supposition of progress, that is, on the idea that it is not only possible, but a (subjective) need of reason to implant rational principles in history. KEY WORDS – Kant. Transcendental philosophy. System. Philosophy of history. (shrink)
Neste artigo, o autor apresenta, primeiramente, reflexões de cunho histórico sobre a relação entre as Ciências Naturais e as Ciências do Espírito, seguidas de observações, de caráter mais sistemático, sobre o conceito das próprias Ciências do Espírito. Com fundamento nessas observações, tece algumas reflexões sobre até que ponto podemos esperar da globalização efeitos sobre as Ciências Naturais e as Ciências do Espírito. PALAVRAS-CHAVE – Ciências Naturais. Ciências do Espírito. Globalização. ABSTRACT In this article, the author presents, firstly, reflections of historical (...) character about the relationship between natural sciences and human sciences. Remarks of more systematic character on the very concept of human sciences follow those reflections. Grounded on such observations, the author discusses possible effects of globalization upon human sciences and natural sciences as well. KEY WORDS – Natural sciences. Human sciences. Globalization. (shrink)
O presente estudo tenta compreender, ainda que de maneira sumária, quais os caminhos que a Estética tomou; desde Hegel e a dedução filosófica dos conceitos, até a corrente, influenciada por Wittgenstein, da análise da linguagem comum, acabando por apontar, diante das dificuldades dos referidos caminhos, para a Estética da circularidade; tanto a de Heidegger quanto a de George Dickie. PALAVRAS-CHAVE – Estética. Filosofia da arte. Conceito. Linguagem comum. Circularidade.
Trata-se de uma investigação sobre a teoria dos primeiros princípios da razão prática na obra de Tomás de Aquino. No centro dessa teoria está o termo “sindérese”, cujo conteúdo foi elaborado nas discussões da filosofia e da teologia medievais, a partir de sua menção na Glosa de Jerônimo a Ezequiel. Tal termo designa um conceito que apresenta um caráter inovador dentro da teoria da ação moral em comparação com a ética aristotélica. Afinal, Tomás de Aquino o entende como o hábito (...) dos primeiros princípios da moral, equivalente ao hábito dos primeiros princípios teóricos de Aristóteles. Dessa forma, o interesse é compreender como o conceito de sindérese é recebido e desenvolvido na filosofia moral de Tomás de Aquino através da análise das três questões tradicionais: de sua natureza, de sua infalibilidade e de sua extinção. (shrink)
Considerando que o cogito possa ser tomado, nas Meditações, como uma conclusão de uma demonstração, pode-se avançar a tese de que essa demonstração está consoante ao método analítico, que Descartes reconhece empreender nesse texto. Esse método teria entre as suas funções nas Meditações aquela de apresentar – sob a forma de uma rede de implicações ontológicas – o raciocínio que conduz à certeza da existência. Como cumpre no referido texto determinar a certeza da existência sem tomar como base nenhuma certeza (...) preestabelecida, o método analítico financiaria, segundo a nossa interpretação, uma reconstrução do argumento do cogito sob uma base indireta, mais precisamente através de uma reductio ad absurdum, cujo objetivo consiste em mostrar a contradição inelutável que surge na tentativa de um indivíduo de provar a sua não existência. (shrink)
Discuto aqui duas diferentes interpretações acerca do que seria uma teoria do direito natural (ou jusnaturalismo). A primeira interpretação se caracteriza pela tese da “inseparabilidade” do direito e da moral, ao passo que a segunda se caracteriza pela tese segundo a qual existiriam “leis naturais”, i.e. leis cuja existência independeria da existência de instituições humanas. Tento mostrar que as duas teses são falsas. Procuro mostrar inicialmente que a confusão entre as duas teses se deve a uma má compreensão da distinção (...) entre frases do tipo “estar obrigado a”, e “ter a obrigação de”. Em seguida, mostro como a teoria moral contratualista nos permite resolver de modo satisfatório algumas questões que não são resolvidas adequadamente em nenhuma das duas versões do jusnaturalismo que apresento. (shrink)
Este texto procura mostrar como a concepção de linguagem de Schopenhauer implica uma delimitação para o poder da razão na teoria do conhecimento. Noutras palavras, a investigação da estrutura da linguagem jamais pode expressar o sentido do mundo. PALAVRAS-CHAVE – Schopenhauer. Schelling. Linguagem. Expressão. Verdade. Realidade. ABSTRACT This text aims to show how the language conception of Schopenhauer implies a delimitation for the power of reason in the theory of knowledge. In other words, the investigation of language’s structure never can (...) express the meaning of the world. KEY WORDS – Schopenhauer. Schelling. Language. Expression. Truth. Reality. (shrink)
O artigo procura apresenta os argumentos centrais das principais correntes interpretativas da Filosofia Política de Hegel na Alemanha, França e no Brasil de forma a avaliar e demonstrar o potencial de diagnose de tal esforço teórico; ao mesmo tempo, objetiva-se demonstrar desde estes autores como uma análise da obra de Filosofia Política de Hegel revela-se atual mediante a articulação de seu sistema como um todo.
Neste trabalho, investiga-se a reconstrução apeliana da controvérsia, entre Habermas e o próprio Apel, acerca da fundamentação e relação entre a moral e o direito, enquanto concepção procedimental discursiva da filosofia prática. Assim, objetiva-se mostrar a relação – metodologicamente importante – do discurso filosófico no trato específico para a arquitetônica da ética do discurso. Defende-se a hipótese de que o debate e controvérsia entre ambos os programas da ética do discurso decorrem fundamentalmente do modo diferenciado de tematizar a relação metodológica (...) entre enunciados filosóficos e enunciados das ciências sócio-reconstrutivas, empíricas, e que essa diferença de abordagem é relevante na forma distinta de tratarem a moral e conceberem o conceito de razão prática, que culmina na compreensão desta como razão prática moral ou não prescritiva, bem como, o problema da sua unidade e/ou quanto de sua especificação. Para Apel, é importante a determinação dessa relação metodológica, pois a partir dessa reflexão efetivar-se-á, na teoria discursiva, uma cisão entre dois modos fundamentais de pensar a fundamentação e relação entre a moral, o direito e a política. (shrink)
O presente artigo objetiva estudar o conceito de “fato da razão”, tendo como norte a intervenção de Beck no cenário da filosofia transcendental, mais especificamente sua abordagem de base kantiana, para em continuação explorarmos o potencial do conceito supramencionado desde as contribuições de Guido de Almeida e Loparic.
Baseado no princípio ontológico da vera justitia, ou da “divina ordem”, segundo a qual é justo que se “subordinem as coisas somente às dignas, as corporais às espirituais, as inferiores às superiores, as temporais às sempiternas” (Ep., 140), o que resulta, na prática, na subordinação dos governados aos governantes, Agostinho introduz em sua doutrina ético-política o conceito de força coercitiva, como instrumento prático garantidor da ordinata concordia ou pax temporalis, na civitas, de forma que, punido pelo reto castigo, o pecador (...) possa retornar à ordem e assim alcançar a vida eterna. Em Agostinho, todas as formas de castigos por ele admitidos não têm um caráter de perseguição, vingança ou sadismo, mas de correção e reintegração do pecador na ordem, por isso devem ser guiados pela caridade. PALAVRAS-CHAVE – Força coercitiva. Castigo. Justiça. Ordem. Paz. Caridade. ABSTRACT With basis on the ontological principle of Vera justitia, or of “divine order”, according to which it is fair to “subordinate things only to the worthy ones, the corporal to the spiritual, the inferior to the superior, the temporal to the sempiternal” (Ep. 140), this results, in practice, in the subordination of the governees to the governators, Augustine introduces in his ethical-political doctrine the concept of coercitive force, as the practical instrument that warrants the ordinata concordia or pax temporalis, in civitas, in such a manner, that punished by the straight punishment, the sinner may return to order and so reach eternal life. In Augustine, all forms of punishment by him admitted do not take a character of persecution, revenge or sadism, but of correction and reintegration of the sinner in the order, and, for this reason, punishment must be guided by charity. KEY WORDS – Coercitive force. Punishment. Justice. Peace. Charity. (shrink)
A obra Consequências da liberdade, publicada no ano de 2011 pela Editora Universitária da UFPE, é primeira obra do escritor e filósofo Geraldo Euclides da Silva, e que certamente se firmará no cenário de exegese das pesquisas sobre o pensamento existencialista de corte sartreano.
Investiga-se, neste trabalho, a retomada, por Habermas, da posição teórico-política social-democrata, fundada na prossecução do Eestado de bem-estar social e na afirmação da centralidade da política democrática no que diz respeito à condução da evolução social, como reação ao neoliberalismo. Oo argumento central, aqui defendido, consistirá em que tal retomada da social-democracia define a posição teórico-política de Habermas em sua defesa de um projeto emancipatório de esquerda e como forma de interromper-se a desestruturação do Eestado de bem-estar social.
O conceito de apercepção reflete o traço fundamental da teoria leibniziana da percepção, que desassocia o ato de perceber da consciência. Entretanto, a série de percepções das mônadas é, segundo o filósofo, regida pelo princípio do contínuo, o que gera uma dificuldade quando se tenta entender a apercepção como uma percepção de segunda ordem e descontínua em relação às percepções. Por este motivo, sustentaremos que a melhor interpretação do conceito leibniziano de apercepção é aquela segundo a qual a consciência é (...) fruto do aumento no grau de distinção das percepções de primeira ordem, sendo desnecessário o recurso a percepções de segunda ordem. (shrink)
O tema da liberdade é de capital importância não só para filosofia, mas, sobretudo, também para tradição cristã. Como doutrina bíblica o conceito de liberdade tem sido estudado e pesquisado por diversos pais da igreja ao longo dos séculos, dentre os quais se destaca os trabalhos realizados por Agostinho. Nesse sentido, o respectivo artigo procura analisar e compreender a maneira como esse autor descrever a temática, preferencialmente a partir de sua célebre obra o Livre-Arbítrio.
Pretende-se situar os momentos determinantes que dão sustentação à proposta de Levinas, elaborada ao longo de sua leitura de Heidegger, no sentido de romper com o pensamento do ser e propor um pensamento do Outro. A leitura de Levinas, como se pretende demonstrar, é atravessada, desde o seu início, pelo fio condutor de uma problematização da pretendida abertura para fora de si mesmo, na qual o Dasein heideggeriano quer se afirmar para além de toda autoconfirmação inerente às filosofias da consciência. (...) PALAVRAS-CHAVE – Alteridade. Dasein. Heidegger. Levinas. ABSTRACT This article seeks to situate the decisive moments that support Levinas’s proposal, elaborated throughout his reading of Heidegger, insofar as it breaks away from the thought of Being and proposes a thought of the Other. Levinas’s reading, it is argued, is marked from the beginning by the leading motif of a problematization of the supposed openness out of itself, in which the Heideggerian Dasein claims to affirm itself beyond all self-confirmation inherent in philosophies of consciousness. KEY WORDS – Alterity. Dasein. Heidegger. Levinas. (shrink)
O texto apresenta a teoria discursiva da aplicação do direito, tal como concebida por Habermas. Essa teoria constituiu um cruzamento entre normas procedimentais coativas e argumentação, de maneira que o procedimento juridicizado não deve pré-julgar ou dirigir a lógica da argumentação. No entanto, tal argumentação não pode ser entendida do mesmo modo que a argumentação moral, justamente devido às honras que deve prestar à legitimidade do direito oriunda do processo democrático, cuja racionalidade, nos argumentos morais, é mais complexa do que (...) a da argumentação moral. Para clarificar esse ponto fundamental, é apresentada a recusa habermasiana da tese do caso especial, de Alexy. PALAVRAS-CHAVE – Habermas. Filosofia do direito. Aplicação do direito. Discurso jurídico. ABSTRACT The texts presents Habermas’s theory of legal discourse. In this theory legal coercive procedures are intertwined with processes of argumentation, in such a way that those procedures should not determine the logic of argumentation. But such an argumentation cannot be understood in the same way as moral argumentation, since the rationality which makes a law legitimate is more complex than the one of moral argumentation. In order to clarify that fundamental point, Habermas’s refusal of Alexy’s special case thesis shall be exposed. KEY WORDS – Habermas. Philosophy of law. Adjudication. Legal discourse. (shrink)
O conteúdo normativo da modernidade fundamenta a distinção entre moral e ética, bem como, no âmbito da teoria da justiça, a prioridade do justo sobre o bom. A normatividade assim concebida parte do pluralismo incomensurável de doutrinas e concepções de bem. O direito à liberdade que sustenta o edifício do consenso liberal não é uma base suficiente para dar conta de decisões aceitáveis por todos em questões de bioética. Por isso, duas alternativas são possíveis, aquela de um modus vivendi entre (...) as várias posições e aquela processual. Sugere-se que somente esta última pode fundamentar um consenso razoável entre as diversas posições. (shrink)
O maior problema do controle de constitucionalidade – um dos institutos básicos do Estado de direito –, com relação à sua justificação democrática, é a chamada dificuldade contra-majoritária [countermajoritarian difficulty], já apontada por Bickel. O texto apresenta o tratamento dessa questão em Habermas, Rawls e Dworkin, a partir da bioética, especialmente o caso do aborto, da eutanásia e da eugenia. Argumenta-se que a justificação moral de boa parte do controle de constitucionalidade encontra sua base em fundamentos morais impostos ao legislador, (...) a partir de uma perspectiva liberal. Tais fundamentos são reconstruídos, tendo em vista a posição tolerante de Locke concernente à problemática religiosa. PALAVRAS-CHAVE – Bioética. Constitucionalidade. Liberalismo. Liberadade religiosa. ABSTRACT The major problem of the control over constitutionality – one of the basic institutes of the rule of law –, with regard to its democratic justification, is the so-called countermajoritarian difficulty, already highlighted by Bickel. The article shows how this issue is tackled by Habermas, Rawls, and Dworkin, from the standpoint of bioethics, especially in matters of abortion, euthanasia, and eugenics. It argues that the moral justification of a great deal of the control over constitutionality finds its basis on moral grounds imposed to the legislator from a liberal perspective. Such grounds are reconstructed with a view to recasting Locke’s tolerant position concerning religious affairs. KEY WORDS – Bioethics. Constitutionality. Liberalism. Religious freedom. (shrink)
O tema da substituição é o coração da filosofia levinasiana. O desejo do infinito, a questão que move o pensamento, expressa-se na fórmula: tero-outro-em-sua-pele. Segundo Levinas é isso o que explica o fato de sermos tão numerosos no mundo. A substituição é a sustentação do mundo. Mas não significa isso uma idéia de fundamento. A metafísica levinasiana aborda o ser como questão que excede o princípio de uma fundamentação filosófica ou condição de possibilidade. O ser em questão é anterior ao (...) princípio como o outro-em-sua-pele não é uma condição subjetiva, mas a incondição do pensamento, o desde sempre da responsabilidade: anarquia imemorial do tempo e do mundo. PALAVRAS-CHAVE – Ética. Substituição. Subjetividade. Anarquia imemorial. Desejo do infinito. (shrink)
O trabalho pretende mostrar como a filosofia da idéia de infinito em Levinas se articula com a concepção da temporalidade diacrônica. A referência filosófica mais explícita e recorrente da idéia de infinito em Levinas é o pensamento cartesiano da Terceira Meditação, porém outras influências muito relevantes para este tema provêm dos textos talmúdicos. Procuramos aproximar as duas fontes do pensamento levinasiano, filosofia e judaísmo, pela análise de dois conceitos fundamentais da obra de Levinas, infinito e temporalidade. PALAVRAS-CHAVE – Infinito. Temporalidade. (...) Ética. ABSTRACT The article seeks to show how the philosophy of the idea of infinite in Levinas is articuled with the conception of diachronic temporality. The more explicit and recurrent philosophical reference of the idea of infinity in Levinas’s thinking is the Cartesian proposition of the Third Meditation; however, other very important influences concerning this theme come from the Talmudic Lectures. We try to approximate the two sources of the Levinasian thinking through the analysis of two fundamental concepts of his work, infinity and temporality. KEY WORDS – Infinity. Temporality. Ethics. (shrink)
A filosofia moral tradicional estabelece o critério da posse da razão como exigência para a definição da pertinência ou não de um sujeito à comunidade moral humana, e, pois, a ser considerado digno de respeito ético e justiça. Contrariando a tradição moral, Kenneth E. Goodpaster, Tom Regan e Paul W. Taylor redefinem a constituição da comunidade moral e o alcance da justiça, estabelecendo a perspectiva dos que são afetados pelas ações morais, não a dos sujeitos morais agentes, como a referência (...) para se tomar decisões éticas relativas à justiça. Enquanto a filosofia moral tradicional considera apenas a categoria dos sujeitos morais agentes, estes autores desdobram a sujeição moral em duas possibilidades: a da agência e a da paciência moral. Com este desdobramento, mantêm-se a estatura dos agentes racionais como responsáveis pela moralidade, enquanto a vulnerabilidade às ações e decisões dos sujeitos morais agentes é levada em conta, permitindo a inclusão na comunidade moral e da justiça de interesses nãoracionais, de animais e ecossistemas nãoanimados, por exemplo. PALAVRAS-CHAVE – Agentes morais. Pacientes morais. Agência moral. Paciência moral. Responsabilidade. Vulnerabilidade. Kenneth E. Goodpaster. Tom Regan. Paul W. Taylor. ABSTRACT Traditional moral philosophy establishes reason as the only criterion for someone being morally considerable or recognized as member of the moral community. In contrast, Kenneth E. Goodpaster, Tom Regan and Paul W. Taylor do not agree with the moral tradition. On their perspective, the standpoint not of the agent but of the “patient” should be the central question of ethics in defining to whom principles of morality apply. While traditional philosophy operates only with the category of moral agents, these authors operates with both categories, moral agent and moral patient. They maintain that responsibility is the most significant question in defining the framework of human morality, a necessary condition to someone being considered a moral agent, possible only for rational beings, while vulnerability is the condition of being subjected to moral decisions and actions, independently of being rational or non rational. Being subjected to human morality is not a prerogative of rational beings. There are non rational interests common to humans, animals and plants, the inherent worth of life, for example, that are continuously subjected to human decisions. So, those have to be considered by ethics and justice. In order to be morally considerable it is not necessary to be rational, it is sufficient to be vulnerable to moral agency. KEY WORDS – Moral agent. Moral patient. Moral agency. Moral patience. Responsibility. Vulnerability. Kenneth E. Goodpaster. Tom Regan. Paul W. Taylor. (shrink)
This article uses Walter Benjamin’s philosophy of history in order to expose the barbarism that is located in the western society foundations, which promotes exclusion and victim’s forgetfulness. The paper indicates the political role of memory in building democracy and rescuing the human dignity, which is recognized from suffering’s alterity. The article will focus the experience of Latin American dictatorships and, more particularly, the military dictatorship in Brazil. KEY WORDS – Victim’s justice. Political Memory. History and narration. Human person dignity. (...) Military dictatorship. Walter Benjamin. (shrink)
Este estudo compara elementos do pensamento ético de Duns Scotus e de Mestre Eckhart. Na base desta relação, está a ética de Tomás de Aquino e a sua doutrina da felicidade, cuja análise, aqui, se centra particularmente na noção de lumen gloriae. Interessa ao autor a forma como o tema tomasiano foi abordado sistematicamente por Duns Scotus e Eckhart, oportunizando uma aproximação teórica entre os dois filósofos. PALAVRAS-CHAVE – Duns Scotus. Mestre Eckhart. Felicidade humana. “Luz da glória”. ABSTRACT This study (...) compares the ethical thought of Duns Scotus and Master Eckhart. Based on this comparison stays the ethics of Thomas Aquinas and his doctrine of human happiness. The analysis of that doctrine is made here particularly through the notion of lumen gloriae. The author is interested on the way this theme from Thomas Aquinas was approached systematically by Duns Scotus and Eckhart, opening the way for a theoretical dialogue between both philosophers. KEY WORDS – Duns Scotus. Master Eckhart. Human happiness. “Light of glory”. (shrink)
Há muito tempo o progresso científico provoca nossas convicções e ameaça deixar o discurso moral para trás. Mais recentemente, a polêmica em torno da permissão ou proibição da eugenia negativa e positiva questiona nossa autocompreensão de natureza, moralidade e liberdade. O presente texto tem por objeto uma série de artigos de J. Habermas, convertidos posteriormente em livro, onde são expostos argumentos fortemente plausíveis em favor da tese da indisponibilidade da natureza humana no âmbito da eugenia positiva. Após contextuar o problema (...) e mapeá-lo no horizonte filosófico, o trabalho apresenta a posição metafísica habermasiana, com destaque para a distinção entre eugenia negativa e positiva, e a confronta com os argumentos liberais dworkinianos acerca do tema. O artigo pleiteia a favor da tese de que a naturalidade humana consiste, desde os primórdios da espécie, em autocriação natural, de modo que cabe à moralidade e ao direito preencherem o vácuo do destino criado pela biotecnologia. PALAVRAS-CHAVE – Natureza humana. Habermas. Eugenia negativa e positive. Ética. Filosofia do direito. ABSTRACT For a long time scientific progress has been challeging our moral convictions, bringing the threat of making moral discourse totally surpassed. More recently the controversy around the permission or prohibition of negative and positive eugeny questions our selfunderstanding of nature, morality and freedom. The text has as its object several articles of J. Habermas, which turned afterwards into a volume, where the author exposes strongly plausible arguments for the thesis of the unavailability of human nature in the field of positive eugeny. After contextualising the problem and mapping it in the scientific horizon, the study presents Habermas’s metaphysical account, putting emphasis on the distinction between negative and positive eugeny, and confronts that same account of Habermas with Dworkin’s liberal arguments about the topic. The article pleads for the thesis that human naturality consists since the beginning of humanity in natural self-creation, so that it is a task of morality and science of law to fulfill the empty space of the destiny built up by biotechnology. KEY WORDS – Human nature. Negative and positive eugeny. Philosophy of law. (shrink)
No presente artigo, o autor apresenta um balanço do debate em torno da questão da clonagem de seres humanos, apontando os limites argumentativos na discussão sobre a clonagem reprodutiva e a clonagem terapêutica. PALAVRAS-CHAVE – Clonagem reprodutiva. Clonagem terapêutica. Ética. ABSTRACT In this study the author offers an evaluation of the debate concerning the topic of cloning of human beings, pointing out to the argumentative limits in the discussion about reproductive cloning and therapeutic cloning. KEY WORDS – Reproductive cloning. Therapeutic (...) cloning. Ethics. (shrink)
Toma-se como referências básicas algumas reflexões do filósofo Martin Heidegger sobre o domínio planetário da técnica para mostrar a penúria de uma época marcada pelo fim da filosofia mediante sua realização como metafísica nas ciências técnicas. Explicita-se ainda como esse fim da filosofia na era do domínio planetário da técnica pode se constituir o ponto de partida para um novo começo do pensar, que pensa para além dos limites impostos pelo pensamento calculador. Na parte conclusiva do artigo procura-se determinar o (...) caráter e a tarefa que caberia a essa nova forma de pensar e conhecer que nos aproxima das coisas tais como são. (shrink)
O presente trabalho visa elucidar o fundamento lógico da passagem do arbítrio para a vontade livre “em si e para si” na Introdução à Filosofia do Direito de Hegel. Defende-se as seguintes teses: 1. A idéia de tal passagem, concebida como reflexivização da vontade, já está presente na ética de Fichte. No entanto, diferentemente de Fichte Hegel concebe-a num fundamento lógico-conceitual. 2. O fundamento lógico da passagem em Hegel é a passagem da Lógica da Essência para a Lógica do Conceito. (...) 3. A explicitação da vontade livre em si e para si pela Lógica do Conceito não envolve ainda o caráter ético-social da realização da tal liberdade, que só se revela no desdobramento da Filosofia do Direito. (shrink)
A questão da dissolução e manutenção do Estado é um aspecto da filosofia política de Hobbes que ainda não mereceu um exame na mesma extensão e importância geralmente atribuídas a outros temas pertencentes aos seus escritos políticos. Evidencio neste estudo a preocupação do filósofo inglês em mostrar que a ciência de conservar Estados possui o mesmo valor e calibre científico filosófico do que a ciência de construir Estados. A divisão tripartite deste estudo tem como propósito investigar, primeiro, as causas e (...) os personagens associados à dissolução do Estado, depois, os preceitos e artifícios relacionados à manutenção do Estado e, por fim, os atos de hostilidades (traição e espionagem, por exemplo) que necessitam ser conhecidos e combatidos pelo representante soberano porque afrontam e contradizem o imperativo de segurança salus populi suprema lex (a segurança do povo é lei suprema) e os princípios de razão que sustentam in totum a arquitetônica pública hobbesiana. (shrink)
O presente estudo tem por objetivo contribuir para o projeto de reatualização da Filosofia do Direito hegeliana inaugurado por Axel Honneth, mas de um modo indireto: meu interesse aqui não é investigar tópicos específicos da Filosofia do Direito, nem mesmo examinar a teoria do reconhecimento como proposta por Honneth, mas iniciar uma caminhada no sentido de tornar explícitos os pressupostos ontológicos carregados por tal projeto de reatualização.
Dados da tradução brasileira de HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito ou Direito Natural e Ciência do Estado em Compêndio. Tradução, notas, glossário e bibliografia de Paulo Meneses et alli. Apresentações de Denis Lerrer Rosenfield e de Paulo Roberto Konzen. São Paulo: Loyola; São Leopoldo: UNISINOS, 2010.
Neste estudo, investiga-se a possibilidade de uma análise, por parte de Duns Scotus, do clássico problema de filosofia moral localizado na fraqueza da vontade. Argumentando de modo crítico para a identificação do tema na ética scotista, o autor acaba por expor, com isso, as premissas centrais de toda a metafísica da vontade e a ética da liberdade de Duns Scotus. PALAVRAS-CHAVE – Fraqueza da vontade. Vontade. Liberdade. Voluntarismo. Teoria da ação scotista. ABSTRACT In this study the hypothesis of finding in (...) Duns Scotus’s works a real analysis of the classical problem of moral philosophy located in the weakness of the will is deeply investigated. Arguing critically for the identification of that theme in the ethics of Scotus, the author outlines at the same time the central premises for Duns Scotus’s metaphysics of the will and ethics of freedom. KEY WORDS – Weakness of will. Will. Freedom. Voluntarism. Scotus’s theory of action. (shrink)
Trata-se aqui de refletir sobre a Sombra da moral, o seu outro lado, no sentido daquilo que se oculta por trás de motivações morais e ideais do sujeito, para então apontar elementos desafiadores da realidade da alteridade inspirada em Levinas. Busca-se um tipo de abordagem filosófica relativa ao amor e sofrimento na aceitação da própria “má consciência”, ou Sombra. Tecemos, por conseguinte, considerações sobre os limites do pensamento de Levinas para lidar com esse outro lado do humano, e apontamos brevemente (...) possibilidades de lidar com isso a partir de pressupostos emocionais. PALAVRAS-CHAVE – Moral. Sombra. Alteridade, Levinas. Emoção. (shrink)
A assim chamada “Doação de Constantino”, pela qual o papa ter-se-ia tornado senhor temporal, foi julgada, geralmente, de forma negativa pelos pensadores do século XIV (como João Quidort e Ockham), ou como uma ação de duplo efeito (Dante). Marsílio de Pádua a encara sob outro aspecto: a doação mostra que o imperador era superior ao papa e aos demais hierarcas da Igreja. Daí ele deduz que, dentro da sociedade, também da sociedade cristã, o imperador é a autoridade coativa suprema, da (...) qual promana o poder coativo eventualmente exercido pelo papa e os bispos. PALAVRAS-CHAVE – Doação de Constantino. Poder coativo. Imperador. Papa. ABSTRACT The so called “Constantine Donation”, by which the pope would have become the temporal Lord, was usually regarded negatively by XIV century thinkers (such as John Quidort and William of Ockham), or as a double effect action (Dante). Marsilius of Padua faces such problem in a different approach: the donation shows that the emperor was superior to the pope and to the others in Church hierarchy. Hence he deduces that inside society, also Christian society, the emperor is the supreme coactive authority, from whom all coactive power eventually enforced by the pope and the bishops arise. KEY WORDS – Constantine donation. Coactive power. Emperor. Pope. (shrink)
Este é um estudo sobre o conceito de vontade na história da filosofia. O centro de interesse está na obra De libero arbitrio, de Agostinho. Tanto se procura descrever a suposta “descoberta” da vontade por Agostinho quanto analisar a coerência do conceito obtido. Trata-se do primeiro de dois estudos sobre a vontade e a liberdade em De libero arbitrio I. PALAVRAS-CHAVE – Vontade. Liberum arbitrium. Liberdade. Razão. Desejo. Ação. Psicologia da ação moral. Assentimento. Juízo. Erro. Teodicéia. ABSTRACT – This is (...) a study on the concept of will in the history of philosophy. Its main concern is a work of the young Augustine, namely De libero arbitrio. Aim of the investigation is both to describe the alleged “discovery” of the will through Augustine and to examine the coherence of such concept. This is the first of two studies on will and freedom according to Augustine in De libero arbitrio I. KEY WORDS – Will. Liberum arbitrium. Freedom. Reason. Action. Psychology of moral action. Assent. Judgement. Error. Theodicy. (shrink)
O propósito deste artigo é analisar as relações de Rawls com o pensamento político de Hegel – considerado pelo primeiro como um “liberalismo da liberdade” – no que diz respeito ao tema da reconciliação. Primeiramente, vamos analisar o conceito hegeliano de reconciliação. Em segundo lugar, procederemos a uma leitura de alguns aspectos da teoria rawlsiana a partir deste conceito para, finalmente, destacar a valorização do mesmo na obra de Rawls. Tratase, portanto, de verificar de que forma a recepção crítica do (...) tema hegeliano da reconciliação pode estimular um ajuste do liberalismo político às exigências da realidade histórica das sociedades liberais modernas, cobrindo, assim, um déficit do liberalismo político em relação às críticas comunitaristas, sobretudo, a questão do normativismo abstrato. PALAVRAS-CHAVE – Hegelianismo. Liberalismo. Liberdade. Reconciliação. ABSTRACT The purpose of this article is to analyze the relations between Rawls and Hegel’s political thought – considered by the former as a “liberalism of freedom” – regarding the theme of reconciliation. Firstly, we will analyze the Hegelian concept of reconciliation. Secondly, we will proceed to a reading of some aspects of the Rawlsian theory based in that concept, in order to eventually underscore its value in Rawls’ work. Therefore, the article verifies in which way the critical reception of the Hegelian theme of reconciliation can stimulate an adjustment of the political liberalism to the demands of the historical reality of modern liberal societies, covering, in this manner, a deficit of political liberalism in relation to communitarian criticisms, especially, the question of abstract normativism. KEY WORDS – Hegelianism. Liberalism. Freedom. Reconciliation. (shrink)
Este artigo procura examinar a avaliação de Rawls acerca de alguns aspectos da filosofia política de Hegel. Rawls interpreta Hegel como um liberal de mente moderadamente reformista, e seu liberalismo é um importante exemplar na história do liberalismo da liberdade. Pretendemos, primeiramente, examinar o estatuto do liberalismo de Hegel, particularmente a questão da liberdade individual. Em segundo lugar, apresentamos alguns aspectos do entendimento de Rawls acerca deste liberalismo. A plausibilidade da filosofia política de Hegel é questionada, quando Rawls analisa a (...) sua possível contribuição à luz do liberalismo político. PALAVRAS-CHAVE – Liberalismo. Liberdade. Liberalismo politico. Hegelianismo. ABSTRACT This article seeks to examine Ralws’s evaluation about some features of Hegel’s political philosophy. Rawls interprets Hegel as a liberal, with a moderately reforming mind, and his liberalism is an important exemplar in the history of liberalism of freedom. We intend, first, to examine Hegel’s liberalism statute, particularly the individual freedom issue. Second, we present some aspects of Rawls’s understanding about this liberalism. Hegel’s political philosophy plausibility is questioned, when Rawls analyses his possible contribution in the light of political liberalism. KEY WORDS – Liberalism. Freedom. Political liberalism. Hegelianism. (shrink)
Em 18 de setembro de 1789, referindo-se ao alcance do poder constituinte da Assembleia Nacional, Mirabeau afirmou que era preciso, nessas horas de mudança, “evitar a subitaneidade do trânsito”. Em um luminoso ensaio de 1927, consagrado ao “Orador do Povo”, José Ortega y Gasset ensina que, na ocasião, “a política de Mirabeau, como toda política autêntica, postula a unidade dos contrários. É pre-ciso, ao mesmo tempo, um impulso e um freio, uma força de acele-ração, de mudança social, e uma força (...) de contenção que impeça a vertiginosidade”. Esta definição de Ortega, que equipara a construção de um novo regime com o método da política, não só é singularmente útil para analisar as situações em que os processos de mudança não são descontínuos, onde a ruptura é de alguma maneira negociada, mas torna a nosso autor um autêntico teórico da reforma social e, por esta via, da moderação política (e da virtude, na tradição aristotélica). Não se esgota aqui, porém, o veio da moderação em Ortega. Em outra obra contemporânea da anterior, o filósofo espanhol evoca uma dimensão não menos importante dela: o tema da convivência e da conciliação. E se vale de um autor do século XIV, Ibn Khaldun, para lembrar-nos o ilusório da table rase, para que advirtamos que ainda em nossos dias toda mudança duradoura deve valer-se sempre de uma tradição longa contra uma tradição curta, que é através do retorno que se faz o novo. Parafraseando, pois, o título deste segundo ensaio, Ortega y Gasset nos revela o segredo: as chaves da mudança social em liberdade. (shrink)
O presente artigo trata da questão da tradução, discutindo, em autores como Hegel, Nietzsche, Heidegger e Gadamer, a possibilidade e o sentido da tradução. PALAVRAS-CHAVE – Tradução. Hegel. Nietzsche. Heidegger. Gadamer. ABSTRACT This paper focuses the question of translation, by discussing the possibility and the sense of translation in Hegel, Nietzsche, Heidegger e Gadamer. KEY WORDS – Translation. Hegel. Nietzsche. Heidegger. Gadamer.
O estudo da natureza da mente ocupa um lugar de destaque na agenda das investigações da Filosofia da Mente, porque sua abordagem parece fornecer uma explicaçáo da forma pela qual os humanos têm acesso aos dados da realidade. Pretendemos problematizar a teoria cartesiana de natureza da mente a partir de sua concepçáo de idéias inatas produzida a partir de um instrumental matemático, que segundo Descartes, nasce com o sujeito. Para tanto, faremos uma breve explanaçáo do método cartesiano, assim como de (...) sua concepçáo de sujeito, para chegar, enfim, à análise do que Descartes entende como idéia. Após o que uma breve análise da noçáo de idéias inatas será por nós realizada. Indicaremos entáo, como o pensamento cartesiano dá margem para o questionamento de sua distinçáo mente/corpo, esta que o neurocientista Damásio náo aceita, assim como náo aceita a prioridade da razáo sobre o sentimento. A natureza da mente náo é metafísica como o disse Descartes, para Damásio ela é biológica. (shrink)
Our abstract begins with the question: what means the sentence - the life is a capital? Michel Foucault makes the question when he signalizes that the bio-power is connected to the capitalism. In this case, the question is to understand how the increase and the confiscate of wealth suppose the power’s development that captures the life strength to make them participe to the wealth creation process. What other fundamental question could be emphasized? The contemporaneous capitalism is strictly connected to method (...) of subjetictivity production. In Nascimento da biopolítica Foucault shows how the capitalism appeals to the people to construct their lives like enterprises. It refers to homo oeconomicus like a suject that considers himself as a valuable capital. We realize the human capital is managed like lives markets, through the neoliberal biogovernamentality, regulating the sujects conducts by a place of truth, the market . We propose the constitution of a new subjectivity: the homo dispensatio. Tracing the relation between the life management as a capital and the constitution of this subjectivity, we could signalize what this situation can provide from the ethical and political viewpoint. (shrink)
O objetivo deste artigo é analisar a teoria da justiça de Aristóteles elaborada na Ethica Nicomachea, Livro V, a partir de um certo deslocamento em relação à teoria das virtudes, que faz uso da escolha deliberada do agente, para utilizar-se de critérios mais objetivos baseados na igualdade, em que se encontram aspectos universalistas e procedimentais na constituição dos princípios de justiça na esfera pública, visando identificar uma complementaridade entre uma ética das virtudes e uma ética dos princípios na filosofia prática (...) aristotélica. PALAVRAS-CHAVE – Aristóteles. Ética das virtudes. Ética dos princípios. Teoria da justiça. (shrink)
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Apresentaçáo da traduçáo do artigo der Peter Lipton: "Is the Best Good Enough?" (publicado em 1993 no Proceedings of the Aristotelian Society , vol. XCIII, parte 2, pp. 89-104).
Francisco Suárez (1548-1617) publicou em 1597 sua obra-prima em metafísica, as Disputationes metaphysicae. Na trigésima terceira Disputa – o objeto deste artigo – Suárez defende primeiramente a substância sobtrês aspectos: como “ens per se” (uma entidade independente), como o que permanece no tempo, e como o suporte fundamental de acidentes. Secundariamente, ele utiliza três distinções com o objetivo de articular a noção de substância: substâncias completas e incompletas, substâncias perfeitas e imperfeitas, e a distinção entre substância primeira e substância segunda. (...) Uma gota d’água, por exemplo, é uma primeira substância completa, mas relativamente imperfeita. Em comparação com ela, a alma humana é uma primeira substância incompleta, mas mais perfeita. A regra é: quanto mais perfeita, tanto mais incompleta. Por trás dessas distinções, Suárez elabora um aspecto dinâmico da substância. A abordagem é aristotélica, sem incluir aspectos de filosofia social ou filosofia existencial. (shrink)