Jörn Rüsen contra a compensação

Intelligere 3 (2):13-33 (2017)
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Abstract

Kompensation is the keyword for an influential answer to the problem of the function of the human sciences in the contemporary world. It emerged in the second half of the twentieth-century in the field of German philosophy, and its chief message is that the human sciences have the task of compensating modern societies and individuals for cultural losses generated within the course of modernization (for instance, by the spread social relations of a new, abstract, non-traditional kind; or by the accelerating progress of technology). The compensation-theory can be stressed as one of the main ideational sets against which Jörn Rüsen developed his own theory of history. This paper focuses on the agonistic relationship between these two theories that attempt to elucidate what is the value and the use of historical studies. My interpretative bet is that by doing so we will better understand important aspects of Rüsen’s theoretical reflections on history and historiography that have not yet received sufficient attention. I will show that Rüsen rejects the compensation-theory not only because he disagrees with the scientific division of labor it entails – which ascribes to the human sciences the relatively modest role of attempting to preserve some of what modernity needs to destroy. I will try to explain how that rejection is also due to more fundamental differences between Rüsen and the compensation-theorists, more specifically their differing understandings of modernity, and their dissent regarding how should the complex interrelationship between knowledge, politics, and the future be configured. “Compensação” é a palavra-chave que sintetiza uma influente resposta ao problema da função das ciências humanas no mundo contemporâneo. Originária do universo da filosofia alemã da segunda metade do século 20, tal resposta sustenta, em linhas gerais, que as ciências humanas servem como uma espécie de indenização espiritual por prejuízos culturais causados pela modernização a sociedades e indivíduos (no bojo, por exemplo, da disseminação de novas relações sociais abstratas e não-tradicionais, ou do acelerado progresso dos meios técnicos). A teoria da compensação pode ser apontada como um dos principais conjuntos de ideias a que se contrapõe a teoria da história de Jörn Rüsen. O presente texto enfoca a relação agonística entre essas duas teorias, no centro das quais está o problema do valor e da utilidade dos estudos históricos. Lançar luz sobre tal relação – esta é a minha aposta interpretativa – é uma maneira de compreender melhor aspectos importantes das reflexões de Rüsen sobre história e historiografia que até agora ainda não receberam a atenção que lhes é devida. Quero mostrar que Rüsen rejeita a teoria da compensação não só porque discorda da divisão do trabalho científico nela apregoada, a qual atribui às ciências humanas o papel relativamente modesto de tentar conservar alguma parte daquilo que a modernização ameaça destruir. Procurarei explicar como tal rejeição também se deve a diferenças mais fundamentais existentes entre Rüsen e os teóricos da compensação, mais especificamente, às suas divergências de entendimento quanto à natureza da modernidade e quanto ao modo de configurar a complexa inter-relação entre conhecimento, política e futuro.

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Arthur Alfaix Assis
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