Dois Pontos 9 (1) (2012)

Abstract
Perguntaremos aqui "como seria ver como um ser humano". Tal questão é difícil, pois recuando um passo em relação à percepção e considerando que ela pode não ser o que é, essa questão vai de encontro àquilo que é comumente considerado como a "atitude natural". Merleau-Ponty articulou esta relativização da visão humana e seu realismo espontâneo de duas maneiras diferentes. Em primeiro lugar, há o que poderia ser chamado a "via da finitude". Ela consiste em assumir o ponto de vista de parte alguma para a percepção, o ponto de vista de um espírito sem ligações mundanas. Poder-se-ia dizer então, como Merleau-Ponty não pára de dizer, que perceber não é ver de parte alguma, eque sempre percebemos a partir de algum lugar, em um corpo finito, e não do ponto de vista de deus. Nossa origem animal, contudo, oferece uma segunda maneira completamente diferente de frustar o dogmatismo da fé perceptiva. Essa é a via adotada por Merleau-Ponty em A estrutura do comportamento, onde muito naturalmente ele é levado a interrogar o que distingue a percepção animal da percepção humana. Sua resposta é valiosa: ver como um ser humano significa ser capaz de "multiplicidade perspectiva". Apreender tal conceito e encarar a visão humana como plural e como excesso, apenas é possível para quem abandonou o ponto de vista de parte alguma e decidiu filosofar começando pelo animal.Percepção. Origem animal. Ser humano. Atitude natural. Multiplicidade.We will ask here “what is it like to see as a human”. Such a question is difficult, for in taking a step back from perception and in considering that it might not be what it is, this question goes against what is commonly called the “natural attitude”. Merleau-Ponty will have orchestrated this relativization of human seeing and its spontaneous realism in two different ways. First, there is what might be called the “way of finitude.” This consists in taking the point of view from nowhere on perception, the point of view of a mind without worldly attachments. We would then say, as Merleau-Ponty never stopped saying, that perceiving is not seeing from nowhere, and that we always perceive from somewhere, in a finite body, and not from the point of view of god. Our animal origin, however, offers a second, quite different way of frustrating the dogmatism of the perceptual faith. This is the way that Merleau-Ponty adopts in The Structure of Behavior, where he is, in a very natural manner, brought to interrogate that which distinguishes animal perception from human perception. His answer here is valuable: to see as a human is to be capable of “perspectival multiplicity.” To catch sight of such a concept, to see human seeing as plural and excessive, is only possible for someone who has abandoned the point of view of nowhere and who has decided to philosophize starting from the animal.Perception. Animal Origin. Human being. Natural attitude. Perspectival multiplicity.
Keywords Perspectival multiplicity  Atitude natural  Percepção  Ser humano  Perception  Animal origin  Natural attitude  Human being  Multiplicidade  Origem animal
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DOI 10.5380/dp.v9i1.29100
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