Abstract
A responsabilidade enquanto princípio ético, embora seja evocada pelos filósofos clássicos, desde a antiguidade ao existencialismo, assume novas perspectivas a partir do pensamento de Hans Jonas e Levinas. Ambos a colocam como centro da ética. Com Jonas a responsabilidade não é mais centrada no passado e no presente. A sua preocupação é com o futuro da humanidade, com as gerações futuras e com a sobrevivência das mesmas. Diferente de Platão, Jonas não está preocupado com a eternidade, mas com o tempo vindouro, compatível com a era da ciência e da tecnologia, cuja responsabilidade passa a ser o alicerce, o princípio orientador para as decisões que possam interferir nas diferentes formas de vida. Levinas, por sua vez, também se afasta da tradição filosófica na medida em que não aceita mais a tese de que a responsabilidade é decorrente da liberdade. A responsabilidade não nasce de uma boa vontade, de um sujeito autônomo que quer livremente se comprometer com o outro ser. Ela nasce como resposta a um chamado. A responsabilidade é o fundamento primeiro e essencial da estrutura ética, a qual não aparece como suplemento de uma base existencial prévia. Aquém do ser se encontra uma subjetividade capaz de escutar a voz, sem palavras de um dizer original, e aponta para uma outra dimensão do eu. Prévio ao ato de consciência, anterior ao sujeito intencional, o eu já responde a um chamado. A responsabilidade pelo outro ser precede a representação conceitual ou a mediação de um mandamento ético. Ela é obediência a uma vocação, a uma eleição pelo bem além do ser. A responsabilidade determina a liberdade do eu, pois esta não consegue mais se justificar por ela mesma. PALAVRAS-CHAVE – Ética. Liberdade. Jonas. Levinas. Responsabilidade. ABSTRACT Responsibility qua ethical principle, however evoked by classical philosophers from Antiquity through existentialism, assumes new perspectives since the contributions of Hans Jonas and Levinas. Both place it at the center of ethics. With Jonas, responsibility no longer focuses on past and present. His concern is rather with the future of humankind, with future generations and their survival. Contrary to Plato, Jonas is not concerned with eternity, but with the time to come, compatible with the era of science and technology, whose responsibility becomes the groundwork and guiding principle for decisions that might interfere in different life forms. As for Levinas, he also departs from the philosophical tradition insofar as he rejects the thesis that responsibility results from freedom. Responsibility does not stem from a good will, from an autonomous subject who freely wants to be engaged with another being. Responsibility rather emerges as response to a call, it is the first, essential ground of ethical structure, which cannot appear as a supplement of a previous existential basis. Even before Being, one finds a subjectivity capable of listening to a voice, without words, of an originary saying, and points to another dimension of the self. Previous to the act of consciousness, anterior to the intentional subject, the self already responds to the call. Responsibility towards the other being precedes the conceptual representation or the mediation of an ethical commandment. It is obedience to a vocation, to an election by the Good beyond Being. Responsibility determines the freedom of the self, since the lattercan no longer be justified by itself. KEY WORDS – Ethics, Freedom, Jonas, Levinas, Responsibility
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DOI 10.15448/1984-6746.2006.2.1844
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