Natureza Humana 10 (2):183-216 (2008)

Authors
Jeff Malpas
University of Tasmania
Abstract
Para qualquer um interessado no lugar da espacialidade no pensamento de Heidegger, um dos principais problemas apresentados por Ser e tempo é a tentativa, feita no § 70, "de derivar o existencial espacialidade a partir da temporalidade". Esta tentativa, que foi considerada "insustentável" pelo próprio Heidegger, mostra-se não ser meramente periférica na análise global. Pelo contrário, ela se liga a certos aspectos centrais e problemáticos no argumento de Ser e tempo, no qual está incluído o tratamento de conceitos espaciais e topográficos em geral, aspectos estes que podem ser vistos como associados ao fracasso do projeto aí ensaiado. Contudo, o argumento do § 70 não suscita apenas questões a cerca do tratamento da espacialidade feito por Heidegger, mas também no que respeita à própria noção de "derivação": se e como é efetivamente possível tal derivação, e de que modo poderia ser entendida a dependência que ela implica. Uma das características centrais da análise desenvolvida em Ser e tempo é o movimento que parte das estruturas da cotidianidade para fundá-las no cuidado, transitando a seguir para a estrutura da temporalidade, e chegando finalmente na estrutura ekstática da temporalidade originária. O que é exibido nesse movimento não é uma relação de dependência, mas uma série de relações que estão supostas. É no interior desse movimento global que estão embutidas dependências mais específicas, inclusive a relação de dependência entre espacialidade e temporalidade. A questão geral da dependência conceitual ou estrutural que aparece aqui, entendida especificamente em termos de "derivação" ou nos termos das noções correlatas de "fundação" ou "fundamentação" , também possui uma relevância que se estende muito além das análises de Ser e tempo, sendo central para a investigação fenomenológica e, de fato, para a investigação filosófica como tal. O que está em jogo nessa questão é a natureza e a base para o ordenamento de conceitos e estruturas, que é uma preocupação central da análise fenomenológica e filosófica. Minha intenção aqui é a de explorar da derivação tal como surge no âmbito de Ser e tempo, mas também prestando atenção para o contexto mais amplo no qual pode-se dizer que a questão também emerge - uma exploração que também nos levará para certas questões sobre espaço e topologia.For anyone interested in the place of spatiality in Heidegger's thinking, one of the key problems presented by Being and Time is Heidegger's attempt, in §70, "to derive existential spatiality from temporality" [i] - an attempt he himself referred to as "untenable" [ii]. This attempt turns out to not to be merely peripheral to Heidegger's overall analysis, but is instead tied to certain central and problematic features in the argument of Being and Time, including its treatment of spatial and topographic concepts in general, that can themselves be seen as associated with the failure of the project attempted there. The argument of §70 does not raise questions only about Heidegger's treatment of spatiality, however, but also regarding the notion of "derivation" itself - about how and whether such derivation is indeed possible in general, and how the dependence that it entails might be understood. One of the central features of the analysis developed in Being and Time is its movement from the structures of everydayness to the grounding of that structure in care, thence to the structure of temporality, and finally, of course, to the ecstatic structure of originary temporality. What is exhibited in this movement is not one, but a series of supposed dependence relations, and it is within that overall movement that more specific dependencies, including that between spatiality and temporality, are themselves embedded. [The general question of conceptual or structural dependence that appears here, whether understood specifically in terms of "derivation" or in terms of related notions of "grounding" or "foundation" , also has a relevance that extends far beyond the analyses of Being and Time, and is central to phenomenological, and indeed, philosophical, inquiry as such. What is at issue in this question is the nature and basis for the ordering of concepts and structures that is a central concern of phenomenological and philosophical analysis. My intention here is to explore this question of derivation as it emerges within the framework of Being and Time, but also with an eye to the larger context in which the question can also be said to emerge - an exploration that will also, as it happens, returns us to certain questions of space and topology
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Sein und Zeit.Martin Heidegger - 1928 - Annalen der Philosophie Und Philosophischen Kritik 7:161-161.
Heidegger's Temporal Idealism.William D. Blattner - 1999 - Cambridge University Press.
Hegel’s Hermeneutics.Paul Redding - 1996 - Cornell University Press.
Sein Und Zeit.Martin Heidegger - 1929 - Mind 38 (151):355-370.

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Heidegger Na Cidade De Benjamin.Jeff Malpas - 2010 - Natureza Humana 12 (2):1-14.

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