A Totalidade do Ser, o Absoluto e o tema "Deus": Um capítulo de uma nova Metafísica

Revista Portuguesa de Filosofia 60 (2):297-327 (2004)
Abstract
Propósito deste ensaio é apresentar uma nova abordagem ao velho problema que é o acesso filosófico ao Deus cristão. Isto acontece dentro do esquema de uma nova metafísica cujo ponto de partida é a capacidade que a mente tem de percepcionar a totalidade do ser, facto este que o artigo apresenta como sendo justamente uma estrutura central do intelecto. Dado que as distinções entre intelecto e mundo, conceitos e realidade, sujeito e objecto, etc., já pressupõem a totalidade do ser dada perceptivamente e nela está baseada, esta totalidade, assim concebida, torna-se mais fundamental que todas aquelas famosas distinções. A tarefa dessa nova metafísica aqui em questão consiste em explicitar uma explicação desta totalidade. No presente artigo, esta explicação é desenvolvida apenas numa direcção, a saber, a explicação no sentido de como proceder da totalidade do ser para o Deus cristão. Neste sentido, uma distinção fundamental é feita entre "o Absoluto" e "Deus ". A filosofia tradicional acreditou frequentemente que a filosofia só poderia explicitar a "determinação" do absoluto como criador do universo finito. O autor do artigo visa justamente demonstrar que outras determinações do Absoluto podem ser filosoficamente alcançadas; mas isto pressupõe que a história da liberdade do Absoluto seja radicalmente tomada em consideração. Ora isto, por sua vez, significa que a história e interpretação da religião - especialmente da religião segundo a tradição judaico-cristã - tem de ser vista como um tópico filosófico verdadeiramente central. Assim compreendido, o Absoluto é apropriadamente designado por "Deus ". Segue-se que uma das consequências desta abordagem é a de que uma vincada distinção entre filosofia tradicional e teologia tradicional cristã deve ser abandonada. /// The purpose of this essay is to present a new approach to the old problem of philosophical access to the Christian God. This is done within the frame of a new metaphysics whose starting point is the mind's perception of the totality of being which is shown to be a central structural feature of the mind as such. Since the distinctions between mind and world, concepts and reality, subject and object, and the like, already presuppose the perceptually given totality of being and are based on it, this totality, so concei-ved, is more fundamental than all those famous distinctions. The task of the envisaged new metaphysics consists in working out an explication of this totality. In this paper this explication is developed only in one direction: the explication in the sense of how to proceed from the totality of being to the Christian God. To this effect, a fundamental distinction is made between "the Absolute" and " God". Traditional philosophy had constantly believed that philosophy could only work out the "determination "of the Absolute as the creator of the finite universe. The paper endeavours to demonstrate that further determinations of the Absolute can be philosophically reached; but this presupposes that the history of the freedom of the Absolute is radically taken into account. And this, in turn, amounts to the claim that the history and interpretation of religion - most especially according to the Judaic-Christian tradition -must be seen as a central philosophical topic. Thus understood, the Absolute is appropriately called " God". One of the consequences of this approach is that the sharp distinction between traditional philosophy and traditional Christian theology should be abandoned
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