Revista Portuguesa de Filosofia 61 (3/4):883 - 899 (2005)

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O presente artigo brota da constatação de que, desde os sens inícios, com Frege, Russell e Wittgenstein, a filosofia analítica partiu do pressuposto de que Kant era o seu principal inimigo de entre os grandes autores da história da filosofia. Uma vez eliminados o papel fundamental da ideia de um sujeito de conhecimento e o psicologismo que daí se seguia, e reposto no seu devido lugar, quer dizer, depurado de implicações epistemológicas espúrias, o estatuto da lógica como empreendimento radical de fundação da matemática e da ciência de modo geral, Kant foi declarado oficialmente morto. O desenvolvimento da lógica, contudo, cedo mostrou que os problemas fundamentals da filosofia analítica, contra todas as expectativas, continuavam, no essencial, a ser justamente aqueles que tinham ocupado o filósofo de Königsberg na 'Crítica da Razão Pura', sem que se vislumbrasse qualquer solução definitiva ou satisfatória a seu respeito. Assim, na sequência da mais recente historiografia e do seu próprio trabalho sobre o assunto, o autor do presente artigo desenvolve o tratamento da questão no que se refere ao Círculo de Viena, mostrando explicitamente as motivações anti-kantianas desse movimento bem como as origens das mesmas nos primórdios da filosofia analítica. Destacam-se os compromissos e cumplicidade de ambas, jamais confessados ou admitidos pelos respectivos autores, com o kantismo. /// The present article claims that right from its foundations, with Frege, Russell and Wittgenstein, analytical philosophy set out from the presupposition that Kant was its principal enemy throughout the history of philosophy. Once eliminated the fundamental role of the idea of a subject of knowledge and the psychologism that followed from it, and returned to its proper place, that is, stripped of illegitimate epistemological implications, the function of logic as a radical enterprise on the foundations of mathematics and of science in general, Kant was declared officially dead. The development of logic, even so, showed early on that the fundamental problems of analytical philosophy, against all expectations, continued, essentially, to be exactly those that occupied the philosopher from Kbnigsberg in the 'Critic of Pure Reason', without any definitive or satisfying solution in sight. Hence, the author of the present article, following the most recent historiography and his own work on the subject, develops this perspective in regard to the Vienna Circle, showing that the anti-kantian motivations of this movement and its origins in the beginnings of analytical philosophy do not preclude compromises and complicities of both with Kantism, a fact that, according to the author of the article, was never confessed or admitted by the thinkers here in question.
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