Revista Portuguesa de Filosofia 59 (4):1051 - 1078 (2003)

Abstract
Em conformidade com a questão do "sentido" ou da "abertura do ser", Heidegger reconheceu que a consciência moral abre ao Dasein o seu próprio ser, a "existência". Ela é um fenómeno "existencial", pois pertence às estruturas constitutivas da abertura ekstática do Dasein ao seu próprio ser. Fazendo irrupção no Dasein perdido no "ser impróprio (uneigentliches Sein)" da "gente", o apelo da consciência abre ao Dasein o seu próprio poder ser-no-mundo (a sua existência) como investido, também ele, de facticidade. Por outras palavras, a dimensão da "gente" abre ao ser humano a partir da impotência do seu ser-lançado – o qual constitui o seu "estar-em-falta (Schuldigsein)" fundamental – o inevitável estar-em-falta do projecto do seu poder-estar-no-mundo. É aí que aparece o conceito existencial do ser-em-falta do Dasein, que ultrapassa todo o conceito ôntico-metafísico de "falta (Schuld)", reduzindo esta ao agir carente de realizar um valor. Na medida em que o Dasein está à escuta deste apelo e, libertando-se da esfera da "gente", projecta-se sobre o seu próprio poder-ser, a "abertura (Erschlossenheit)" do ser do Dasein modaliza-se em "resolução (Entschlossenheit)". E na medida em que ele se projecta mesmo até ao seu poder ser mais próprio (a morte), esta modaliza-se em "resolução anticipante (vorlaufende Entschlossenheit)". Esta última é então a abertura ou a "verdade (alétheia)" mais original do ser do Dasein. Deste modo, para a autora do artigo, a interpretação existencial do apelo da consciência constitui um prelúdio ao pensamento do ser como Ereignis do Heidegger tardio, segundo a qual a linguagem é constitutiva da abertura ou da "verdade (aletheia)" do próprio ser. /// In accordance with his question about the "sense," or "openness," of being, Heidegger acknowledged that moral conscience opens Dasein to its own being, i.e., "existence." Moral conscience is an "existential" phenomenon, belonging to the constitutive structures of Dasein's ecstatic openness to its very being. Breaking into Dasein, lost in "improper being-in-the-word (uneigenliches Sein)" of the neutral "one," the appeal, or call, of the conscience opens Dasein to what is indeed proper to it (eigenliches being-in-the-world)". It comes about from what Dasein has factually always been; it opens to its very power to be-in-the-world as also invested with facticity. Otherwise said, its openness stems from the non-power of its being-thrown, constituting its "being-in-fault (Schuldigsein)." It is precisely in this existential concept of Dasein's "being-in-fault" that surpasses all ontico-metaphysical concepts of "fault (Schuld)" which is finally reduced to an action incapable of realizing a value. To the extent that Dasein is attentively hearing this appeal, it frees itself from the "one," projecting itself onto its power-to-be, i.e., its openness to being (Erschlossenheit). Thus, Dasein adopts the mode of "resolution (Entschlossenheit)," which coincides with its most proper powerto-be, or death. The latter in turn adopts the mode of anticipatory resolution (vorlaufende Entschlossenheit). This last is then the openness, or truth (aletheia), the most original of Dasein's being. So, the existential interpretation of the appeal of the conscience constitutes a prelude to the thought of being as Ereignis of the latter Heidegger, according to whom language is constitutive of the very opening, or truth, of being.
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