Scientiae Studia 11 (4):811-839 (2013)

Abstract
Ao defender, nos Princípios matemáticos de filosofia natural, a existência de uma força de gravitação universal, Newton desencadeou uma onda de dúvidas e objeções filosóficas. Suas próprias declarações sobre a natureza da gravitação não são facilmente interpretáveis como formando um conjunto consistente de opiniões. Por um lado, logo após fornecer as três definições de "quantidades de forças centrípetas" (Defs. 6-8), Newton observa que está tratando tais forças "matematicamente", sem se pronunciar sobre sua realidade física. Mas, por outro lado, no Escólio Geral inserido no final da segunda edição do livro, Newton diz que foi capaz de "explicar" vários fenômenos de movimento por meio da força de gravidade - que ele mostrou ser um tipo de força centrípeta -, embora não tivesse ainda conseguido explicar a causa dessa força. Uma interpretação plausível dessas últimas afirmações é que Newton acreditava que pôde inferir, a partir dos fenômenos, a existência da força de gravidade, enquanto agente causal real de certos movimentos, mas que ainda não havia tido sucesso em descobrir a causa dessa causa. O objetivo principal do presente artigo não é aprofundar a análise histórica das declarações de Newton, mas examinar como essa questão se insere no debate mais geral sobre o estatuto epistemológico das hipóteses científicas que transcendem a experiência imediata. Segundo a posição defendida, entre muitos outros, por John Locke, tais hipóteses devem ser interpretadas como tentativas legítimas de descrever aspectos inobserváveis da realidade. Em contraste com isso, no caso específico das hipóteses sobre forças - de gravitação ou quaisquer outras -, George Berkeley argumentou vigorosamente a favor de sua interpretação como meros artifícios teóricos úteis às "demonstrações matemáticas" na ciência da mecânica. Ao longo da análise das vantagens e desvantagens filosóficas dessas posições opostas, indica-se aqui que, embora a interpretação realista pareça fazer mais justiça ao desenvolvimento real da física após os Princípios matemáticos, a interpretação instrumentalista de Berkeley tem o mérito filosófico inegável de representar uma adesão mais firme ao empirismo, que é, de um modo ou de outro, valorizado por ambas as partes envolvidas na disputa sobre a natureza da gravitação. Newton's defence, in the Principia, of the existence of a universal force of gravity immediately gave rise to a wave of philosophical doubts and objections. His own remarks on the nature of gravitation are not easily amenable of a consistent, uniform interpretation. This paper begins by reviewing briefly these remarks. Its primary objective is, however, to examine how this important scientific issue contributed to demarcate two main epistemological positions on the status of scientific hypotheses transcending immediate experience. In Newton's time, two exponents of these positions were, respectively, Locke and Berkeley. Intriguingly, Newton fuelled both the Berkeleyan, instrumentalist interpretation, and the Lockean, realist interpretation. On the one hand, immediately after offering the definitions of "quantities of centripetal forces" (Definitions 6-8), he warned that he was treating these forces "mathematically", without pronouncing on its physical status. This remark lends support to Berkeley's anti-realist interpretation of forces, as Berkeley himself was keen to point out. But in the General Scholium, at the end of the book, Newton declared that he could "explain" certain important phenomena of motion by the force of gravity, although he had not yet been able to explain the cause of this force, adding, famously, that he would "feign no hypotheses" about this issue. A natural, realist interpretation of this statement is that Newton believed that he could infer, from the phenomena, the existence of gravity, as a real, causal physical agent, but that he had not yet succeeded in discovering the cause of this cause. In discussing the shortcomings and advantages of these opposing views, we indicate that although the realist interpretation appears to do more justice to the actual development of physics after the Principia, Berkeley's interpretation has the philosophical merit of representing a firmer adherence to empiricism, a position valued, in one way or another, by all parties involved in the dispute on the nature of gravitation
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DOI 10.1590/S1678-31662013000400005
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Newton and the Reality of Force.Andrew Janiak - 2007 - Journal of the History of Philosophy 45 (1):127-147.
Berkeley's Natural Philosophy and Philosophy of Science.Lisa Downing - 2005 - In Kenneth Winkler (ed.), The Cambridge Companion to Berkeley. Cambridge University Press. pp. 230--265.
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Newtonian Idealism: Matter, Perception, and the Divine Will.Liam P. Dempsey - 2014 - Southern Journal of Philosophy 52 (1):86-112.

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